A aposentadoria não significa um final, mas sim uma nova fase em que a pessoa poderá realizar outros objetivos e projetos

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Debate alerta sobre urgência em enfrentar problemas da dívida pública para resolver problemas sociais no Brasil


O segundo dia do XI Congresso da Condsef reservou espaço para um necessário debate sobre conjuntura que afeta o dia a dia não só de servidores públicos como de toda a população. A economista responsável pela subseção do Dieese na Condsef, Alessandra Cadamuro, falou sobre orçamento da União. Em sua exposição, Cadamuro trouxe dados técnicos que desmistificam a versão que a mídia tanto ajuda a difundir de que servidores públicos são o grande problema do chamado “inchaço da máquina pública”. A segunda expositora não só reforçou que servidores públicos não são o obstáculo a ser enfrentado como apontou os maiores responsáveis pelas mazelas da recorrente falta de verbas para investimento nas áreas sociais. Maria Lucia Fattorelli, coordenadora da organização brasileira Auditoria Cidadã da Dívida, fez uma radiografia da dívida pública, tema que considera o grande problema a ser enfrentado para que se possa começar a resolver, de fato, os problemas sociais enfrentados no Brasil. Problemas que se refletem, em grande medida, na falta de investimentos adequados no setor público.

Com plenário lotado pelos delegados sindicais e observadores do XI Concondsef, o debate deve amadurecer as idéias dos servidores que decidem até domingo os rumos da luta da maioria dos trabalhadores do Executivo para o próximo período. Para a Condsef, reconhecer e enfrentar os maiores obstáculos da classe trabalhadora é determinante para se munir das ferramentas certas em uma luta onde os inimigos detêm o controle econômico, político e ainda possuem a mídia como perversa aliada. Cadamuro, da subseção do Dieese na Condsef, lembrou que para conseguir cobrar o necessário na construção de um orçamento participativo é preciso um intenso monitoramento social. Mais que técnico, lembrou a economista, o orçamento é uma peça política, um espaço de disputa. Sem participação social, portanto, a lógica que privilegia poucos em detrimento de uma minoria acaba se perpetuando.

Fattorelli também chamou a responsabilidade de ação para os trabalhadores. Mostrando uma pesquisa realizada por cientistas alemães, a coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida revelou dados que mostram que o controle financeiro mundial está nas mãos de apenas 50 empresas do setor financeiro, em sua maioria bancos. Não por coincidência, foram esses mesmos bancos que, endividados, durante a crise econômica mundial receberam mais de U$ 16 trilhões do Banco Central dos Estados Unidos (FED). Com o domínio do poder financeiro nas mãos de poucas instituições, em sua maioria privadas, ocorre o fenômeno da financeirização mundial, que tem como um de seus maiores fomentadores a dívida pública que termina por determinar o modelo econômico que rege o mundo com graves conseqüências sociais para países como o Brasil.

Vilões ocultados – Enquanto despontamos como 7ª maior economia do mundo, temos que conviver com gravíssimos problemas sociais que nos fazem o 3º pior em distribuição de renda. Com uma previsão de orçamento em 2014 maior que R$2,3 trilhões é inadmissível que quase metade desse montante seja destinado ao pagamento de juros e amortização da dívida pública. Usando como exemplo o recente caso do mensalão, descrito pela mídia como o "maior caso de corrupção da história do Brasil", Fattorelli revela um assustador dado: A dívida pública consome diariamente o equivalente a 22 mensalões por dia. Enquanto a chamada corrupção de varejo faz a festa da grande mídia, os maiores responsáveis por amarrar o desenvolvimento econômico do país permanecem ocultos.

Enquanto o Brasil priorizar o pagamento da dívida e esquecer investimentos em serviços públicos de qualidade, os problemas que enfrentamos nas áreas sociais vão continuar sendo agravados. Fattorelli destacou ainda o exemplo do Equador que reduziu em 70% sua dívida promovendo a auditoria naquele país. Novamente chamando a responsabilidade para os trabalhadores, a coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida destacou que se vive um momento particular em todo o mundo onde a sociedade acorda para as necessárias mudanças que precisam acontecer neste modelo mundial. Mudanças que começam essencialmente a partir do acúmulo de conhecimento, mudanças fundamentais para a disputa por um futuro melhor e mais justo. Mais dados podem ser obtidos no site mantido pela Auditoria Cidadã da Dívida no www.auditoriacidada.org.br

Opressões às minorias – Na esteira desse debate, aconteceu ainda uma mesa que debateu as opressões sofridas pelas minorias. A mesa, coordenada pela secretaria de Gênero, Raças e Etnias, reuniu representantes de movimentos sociais que lutam para assegurar avanços fundamentais em direção a um país onde não haja segregação, distinção e muito menos violência motivada por diferenças de raça, credo, orientação sexual ou qualquer característica que diferencia um ser humano de outro.