A aposentadoria não significa um final, mas sim uma nova fase em que a pessoa poderá realizar outros objetivos e projetos

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Miqueias: PF investiga servidora do Senado


Segundo o MP, secretária teria ligação com esquema em fundos de pensão

A Polícia Federal está investi­gando o envolvimento de Flávia Peralta de Carvalho, funcionária do Senado, com suposta lavagem de dinheiro da organização do doleiro Fayed Traboulsi e do policial Marcelo Toledo. O Minis­tério Público do Distrito Federal che­gou a pedir a prisão temporária de Flá­via, mas o pedido foi rejeitado pelo Tri­bunal de Justiça. Flávia foi nomeada como assistente parlamentar de im­prensa em ato secreto do então presi­dente do Senado, José Sarney (PMDB- AP), em 17 março de 2009. Atualmente, Flávia é secretária da assessoria de im­prensa do presidente do Senado, Re­nan Calheiros (PMDB-AL).

Pelas investigações da Polícia Federal, a organização de Fayed e Toledo desviou R$ 50 milhões de fundos de pensão de servidores de prefeituras e governos es­taduais nos últimos anos. Toledo e Fayed estão entre os 23 presos durante as ope­rações Miqueias e Elementar, lançadas há 12 dias. O nome da secretária aparece no contrato social das empresas SCIA Comércio e Atacadista, Varejista, Expor­tação de Vidros, Espelhos, Vitrais e Mol­duras, Silo Sistemas Construtora e Incorporadora e Investimentos Imobiliários, Arte Verde Cerimonial e Ambientação e Acácia Cerimonial e Ambientação.

SERVIDORA DIZ QUE NÃO ESTÁ ENVOLVIDA

Nos documentos, Flávia seria sócia do pai, Flávio Júnior Carvalho, o Cren­te, apontado pelos promotores do caso como um dos principais cúmplices de Fayed e Toledo. Mas para os promoto­res do caso, ela não é apenas uma figu­rante. "A atuação dela não se limita a fi­gurar como sócia das empresas, mas possui atuação ativa, na medida em que efetuou saques nas diversas contas investigadas", informa o promotores ao justificar o pedido de prisão temporária da secretária. O Tribunal de Justiça en­tendeu, no entanto, que promotores e policias poderiam prosseguir as investigações sem a prisão dela.

No documento, os promotores desta­cam o papel de Flávio Carvalho na estrutura da lavagem. Segundo eles, Carvalho "lidera uma das células da organização criminosa" como dono de empresas-fantamas "em cujas contas bancárias circulam quantias milionárias, em movimenta­ções atípicas" Para o MP, Carvalho coorde­na "laranjas" que emprestariam nomes para a criação de empresas de fachada. A partir de contas dessas empresas, movi­mentava-se do dinheiro do grupo.


Pelas informações do portal do Senado, Flávia tem salário de R$ 4.288,50 como as­sistente parlamentar júnior da presidência do Senado, cargo de confiança. Segundo a assessoria de Renan Calheiros, o senador não conhece a funcionária e Flávia teria explicado ao chefe direto que não tem qualquer envolvimento com os negócios do pai. Ela apenas teria "descontado" al­guns cheques. A explicação foi considera­da satisfatória. Flávia foi orientada a con­tratar advogado para processar quem fizer denúncias infundadas contra ela.

Fonte: O Globo