A aposentadoria não significa um final, mas sim uma nova fase em que a pessoa poderá realizar outros objetivos e projetos

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Intoxicação no Serviço Público, uma realidade que o governo ignora


A palestra de fechamento do II Seminário de Saúde do Trabalhador mostrou a triste realidade da intoxicação pelo uso de inseticidas dos servidores federais. 

A professora doutora Estelita Lima apresentou uma revisão de bibliografia sobre o tema, mostrando ampla gama de estudos sobre a questão da intoxicação por inseticidas, inclusive com dados alarmantes. 

Em artigo científico, Iracema Mariano apresentou depoimentos de diversos servidores da Funasa/Ministério da Saúde, coletados na Região do Cariri para compor o estudo em questão. São constatações terríveis da vida dos profissionais que usavam inseticida no dia-a-dia de trabalho. 

O artigo, intitulado, “Exposição a pesticidas e repercussão na saúde de agentes sanitaristas no Estado do Ceará”, tem o seguinte resumo: “Os agentes sanitaristas são os trabalhadores mais expostos aos efeitos dos inseticidas nas campanhas antivetoriais, desde o preparo da calda até a aplicação nas áreas intra ou peridomiciliares. Fatores como falta de equipamentos de proteção individual ou desconhecimento da forma correta de manipulação de cada produto aumentam os riscos de intoxicação. O objetivo deste trabalho foi analisar a história ocupacional de agentes sanitaristas sobre o controle dos vetores no Estado do Ceará e sua repercussão na saúde destes trabalhadores. As histórias de vida ocupacionais foram relatadas por dez agentes, através de entrevistas individuais gravadas. O conteúdo foi analisado a partir da construção de categorias como: perfil dos agentes, controle de endemias, condições de trabalho, riscos e alterações na saúde. Os depoimentos revelaram condições de trabalho geradoras de risco à saúde dos agentes, desde intoxicações agudas a crônicas, além de outros problemas, como o alcoolismo. Constatou-se que os profissionais foram desrespeitados como seres humanos e que houve descumprimento dos direitos trabalhistas, evidenciando-se o descaso por parte dos seus superiores e instituição contratante”. O estudo na integra pode ser acessado clicando aqui.

Algumas falas das conclusões do artigo. Os entrevistados foram identificados com nome de pássaros:

“Os instrutores não orientavam nada como usar equipamentos de segurança. Nós mesmos que tinha que ter cuidado em si mesmos, tinha treinamento adequado sobre aplicação de inseticida, nas paredes, os retoques, mas sobre as orientações dos cuidados, não tinha. Muitas vezes a gente estava fazendo uma borrifação e o vento vinha e banhava a gente todinho (Sabiá).

“Todo mundo sabe que o abate é tóxico, na embalagem fala que é tóxico e eles falavam que isso aqui não faz mal: ‘Se vocês chegarem em uma casa que alguém for falar que não vai deixar botar na caixa d'água porque faz mal, você diga que não faz mal’ " (Canário).

“A diferença do nosso trabalho pro regime militar era muito pouco. A diferença era que a gente usava inseticida e eles usam bala, fuzil, essas coisas” (Pintassilgo).

Na sequência, o representante da Condsef, Sérgio Ronaldo, falou da dificuldade de resolver essa grave situação com o governo, tanto o de Dilma, quanto foi no de Lula. Segundo Sérgio, não há avanços. O governo não reconhece o dado. Ele pontuou que já houve denúncia na Organização Internacional do Trabalho (OIT), mesmo assim não se encontra uma solução. São dados científicos comprovando o dano do DDT e de outros inseticidas usados pelos servidores federais, mesmo assim o governo ignora a questão.

Sérgio Ronaldo apresentou várias iniciativas da Condsef para defender a questão, dentre elas a intenção de formar uma frente parlamentar apartidária para buscar aprovação dos projetos

Alguns documentos sobre este tema você encontra em nosso espaço de publicações. Também estarão disponíveis na segunda-feira, as apresentações dos palestrantes do Seminário.

Os participantes foram convidados a atuar como multiplicadores do que ouviram no encontro. Procurem estas pessoas e conversem sobre estes temas.

O sindicato está a disposição para prestar todo apoio e atenção a qualquer servidor que queira apresentar questões ligadas à saúde no trabalho. Se precisar, procure ajuda!

Fonte: Sintsef Ceará