A aposentadoria não significa um final, mas sim uma nova fase em que a pessoa poderá realizar outros objetivos e projetos

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Servidores federais no Dia Nacional de Paralisações


O Sintrasef e as centrais sindicais realizaram na sexta-feira (30) o Dia Nacional de Paralisações contra a política econômica do governo Dilma Rousseff (ver lista de reivindicações no final do texto). No Rio, servidores do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), Funasa, Mapa, DPRF, Ministério da Defesa, Abrigo Cristo Redentor, entre outros, fizeram pela manhã paralisação e manifestação em frente à sede do INPI, na rua São Bento, na Praça Mauá. À tarde, os servidores participaram do grande ato das centrais sindicais na Central do Brasil.

“Podemos dizer que foi um sucesso. As centrais sindicais e os sindicatos paralisaram nas principais capitais milhares de trabalhadores contra a política econômica do governo Dilma, que penaliza os trabalhadores e bota quase 49% de tudo que o país produz para pagar a dívida pública. Assim cada vez mais os bancos e o capital financeiro ganham dinheiro e o setor produtivo vai à míngua”, afirmou Victor Madeira, diretor da Condsef.



Apoio popular

O protesto dos servidores públicos federais logo pela manhã foi fundamental para o sucesso do dia de lutas, já que alertou a população em geral sobre a importância de se cobrar a mudança de rumos do governo Dilma Rousseff, a começar por serviços públicos gratuitos e de qualidade, com respeito ao servidor público.

“Nós do serviço público federal somos os principais penalizados. A grande mídia, que defende os poderosos, passa para a população que o servidor público é marajá, ganha mais e é menos eficiente. Nós sabemos que não tem trabalhador mais eficiente do que o servidor público, porque o nosso compromisso é com a população, enquanto que o compromisso das empresas privadas é com o lucro do patrão”, disse Victor Madeira. “Por isso que neste dia 30 os servidores públicos brasileiros estão dizendo que nós somos a favor de saúde pública e investimento pesado em ciência e tecnologia”, completou ele.

Atento ao recado dos servidores, o vendedor ambulante Paulo César, que trabalha na rua da Quitanda há 30 anos, falou que só a voz das ruas fará o governo olhar para a população. “A manifestação tá acontecendo no Brasil inteiro, tem que fazer isso mesmo, pra poder ver se melhora. Eles (governo) só pensam em copa do mundo e ‘esses negócios’. Enquanto os nossos hospitais estão sem médicos e as escolas sem professores”, disse ele.

Greve em 2014

Tanto Victor Madeira quanto Geraldo Nunes, diretor do Sintrasef, informaram que os servidores não se curvarão ao descaso do governo e, se preciso for, realizarão uma greve geral em 2014. Geraldo afirmou que “o previsto para o Orçamento 2014 é nada para o servidor. Mas sabemos que se houver luta e paralisação, vamos conseguir. Então teremos realmente que fazer greve. É importante a conscientização do servidor senão veremos mais uma vez o bonde passar e não conseguiremos nada. Temos que ter protesto, ir para a rua e unificar o movimento”.

Denis Diniz, diretor do Sintrasef e representante do núcleo de base do INPI, vê os servidores do órgão no caminho dessa união. “Nestas últimas semanas os colegas que fazem parte e apóiam o Comando de Mobilização têm trabalhado muito, e nós temos conseguido reverter um certo estado de desânimo que estava acontecendo”, disse ele ao parabenizar os funcionários do INPI mas não deixar de apontar problemas no órgão.

“Privatização” do INPI

Entre os problemas do INPI, Raul Bittencourt, também representante do núcleo de base, realçou o desvirtuamento da função principal do órgão, que está deixando de ser um instrumento regulador da produção e da pesquisa brasileira, das riquezas do Estado, e se transformando em um validador dos “atalhos” que levam aos lucros dos grandes grupos capitalistas.

Bittencourt citou como exemplo a viagem que diretores do setor de Administração fizeram à França, ao custo de quase R$ 90 mil, em tempos de contenção orçamentária no órgão, para um curso de gerência de empresas particulares. “Será que já privatizaram o INPI e não nos avisaram?”, questionou ele. “A política que temos visto é esvaziar a máquina estatal para servir a interesses privados. O nosso objetivo aqui não é servir para dar dinheiro à Monsanto ou outro conglomerado transnacional. Nosso objetivo aqui no INPI como serviço público federal é servir aos interesses do povo brasileiro”, afirmou ele. 

Servidores públicos federais exigem: 

- Mais verbas para saúde e educação públicas. 10% do PIB já!

- Serviços públicos gratuitos e de qualidade!

- Antecipação imediata das parcelas do reajuste salarial do acordo de 2012;

- Reajuste salarial digno e valorização do servidor público;

- Paridade entre ativos e aposentados;

- Anulação da reforma da previdência de 2003;

- Não à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e à privatização dos hospitais universitários e da previdência do servidor;

- Não aos leilões de petróleo e aos projetos de lei que cria as fundações privadas no setor público (PLP 92/2007) e facilita as terceirizações (PLP 4330/04)

Fonte: Sintrasef/RJ