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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Funcionários do estado estavam entre manifestantes pró-CPI


Após ser informada pelo GLOBO, secretaria diz que servidores serão exonerados


Pelo menos dois funcionários da Secretaria estadual de Governo estavam no grupo de nove manifestantes a favor da atual composição da CPI dos Ônibus, que se envolveu no tumulto ontem nos arredores da Câmara e foi conduzido para a 5ª DP (Gomes Freire). Após ser procurada pelo GLOBO na noite de ontem pedindo informações sobre os servidores, a assessoria de imprensa do órgão informou que "Leandro Carlos de Souza e Maicon Justino de Jesus terão suas exonerações publicadas no Diário Oficial desta sexta-feira (hoje), por terem participado, sem autorização, da manifestação durante o expediente de trabalho".

Amigos no Facebook, Maicon e Leandro Carlos não escondiam na rede social o trabalho que vinham exercendo no governo estadual. O segundo colocou em destaque na sua página o cargo de "acessor" ( sic ) da Secretaria de Governo. Havia, até a noite de ontem, 11 fotos que foram colocadas em março deste ano de um evento no Palácio Guanabara. Por volta de 20h20m, algumas fotos haviam sido excluídas.

Em uma foto publicada em 9 de janeiro, Maicon posa de uniforme com o símbolo do governo do estado e com a inscrição "supervisão regional" da Secretaria de Governo. Uma amiga comentou à época: "Aí hein, tá seduzente ( sic ) com essa pose de poderoso chefinho. Em breve será chefão". Em fotos de setembro de 2012, época de campanha eleitoral, ele posou com um imenso cartaz do vereador Eduardão, do PSDC, que foi eleito. Em agosto de 2012, postou comentários dizendo que "da Zona Norte, Leopoldina, Zona Oeste, Eduardão é 27777", também indicando ter feito campanha para o vereador. Maicon ainda publicou imagens com bandeiras do PMDB.

Um jovem que também era amigo de Leandro Carlos no Facebook, identificando-se como "Bruno Bruno", chegou a publicar fotos tiradas nas galerias do plenário da Câmara com os dizeres: "Hoje (ontem) eu apareço em todos os jornais! A porrada vai comer!". Ele marcou diversos amigos que estavam na manifestação como sendo o "Bonde do Colete Amarelo".

O grupo pró-CPI era liderado pela jovem Jessica Ohana, militante da juventude do PMDB, responsável pelas orientações de evitar a imprensa. Nem todos, no entanto, a seguiram à risca. Um homem, que se identificou como Renato Fernandes, contou que o grupo era apartidário e que teria saído de Nova Iguaçu para participar da reunião da comissão que trata dos transportes no município do Rio. Questionado sobre o porquê de estar na Câmara de outra cidade que não a sua, respondeu:

- Sou a favor do Rio de Janeiro. E os ônibus circulam em todo o estado.

Ao ser informado que aquela CPI trataria apenas das linhas municipais, afirmou circular muito no Rio, apesar de viver em Nova Iguaçu.

Durante o tumulto, os manifestantes pró-CPI chegaram, inclusive, a ser acusados de serem milicianos. E não só pelo grupo rival. O chefe da segurança da Câmara de Vereadores, coronel Marcos Paes, disse que conhecia "há tempos" um homem que tentou agredi-lo na entrada lateral.

- Eu o conheço da época em que comandei o 3º BPM (Méier). Ele é do Jacarezinho e pode ser miliciano - afirmou o coronel.

O confronto entre manifestantes começou nas ruas Alcindo Guanabara e Senador Dantas e se estendeu pela Evaristo da Veiga. O grupo pró-CPI se refugiou em carros da PM para escapar do cerco dos rivais. Eles se refugiaram em dois carros da polícia, e só então foram levados para a delegacia. Não foi constatado, na 5ª DP, entre os nove, que qualquer um deles tivesse ligação com milícias ou fosse policial militar. O grupo foi acusado por um manifestante do lado contrário de ameaça e lesão corporal. Por sua vez, dois homens entre os que estavam a favor da CPI também acusaram os rivais de agressões. O caso foi registrado e será levado ao Juizado Especial Criminal (Jecrim).

Fonte: O Globo