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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A polêmica do Museu Nacional


Federalização do monumento divide a classe artística. Alguns temem que o acervo local perca espaço. Outros concordam que nova gestão pode ser benéfica


A federalização do Museu Nacional, anunciada em maio pelo Ministério da Cultura e pelo GDF, provoca reações divergentes entre os brasilienses envolvidos com a vida cultural da cidade. Alguns alegam a falta de interesse do governo local com o espaço para defender a tomada da gestão pelo Executivo federal. Outros, no entanto, defendem a permanência do museu sob os cuidados do GDF e lembram que o monumento, idealizado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, foi construído com recursos locais. Em meio à discussão, uma reunião entre representantes do governo do DF e do ministério para assinarem o acordo foi cancelada na última quarta-feira.

Contrário à mudança na gestão, um grupo se mobilizou pelas redes sociais para discutir o assunto e criou o Não Federalização do Museu. A especialista em gestão cultural e uma das coordenadoras do movimento, Cleide Soares, argumenta que o espaço foi construído com recursos do governo local e guarda obras de arte do DF. “A função do museu também é preservar o acervo que faz parte da história do DF. Se repassarmos o espaço, onde elas vão ficar?”, questiona. Outra queixa de Cleide é a decisão ter sido tomada de forma unilateral. “Temos Conselho e Fórum de Cultura, poderia ter havido discussões. Que há uma gestão incompetente na cultura do DF não há dúvidas, mas isso não dá direito à retomada do espaço. Ainda é o que funciona melhor na cidade”, completa.

Já a colecionadora e idealizadora do Espaço Cultural Contemporâneo (Ecco), Carla Osório, não se opõe à federalização do museu. Ela concorda que há uma desorganização da administração da cultura do DF e aposta nessa mudança, desde que traga benefícios para a cidade. “A gestão é precária, desorganizada e amadora. É verdade que tem sempre programação no museu, isso porque é um prédio do Niemeyer, mas é aleatório e sem curadoria. Se a federalização significar mais verba e uma equipe com gabarito e competência, pode ser bom”, opina. 

Justiça

O ex-secretário de Cultura do DF, Silvestre Gorgulho, defende uma gestão compartilhada do espaço. “É um equipamento cultural de Brasília, da sociedade brasiliense, mas precisa ser dinamizado, monitorado e necessita de investimentos. Se o GDF não tem verba para isso, deve ser compartilhado”, defende. Quando assumiu a pasta, ele montou uma comissão para administrar o museu. “Era uma situação perfeita, porque continuava sendo do DF, com um tipo de gestão compartilhada entre os ministérios da Cultura e da Educação, a Universidade de Brasília (UnB) e a Secretaria de Cultura”, lembra.

Mas a insatisfação é tanta que o movimento Não Federalização do Museu procurou políticos para tentar reverter a situação. A deputada e presidente da Comissão de Cultura da Câmara Legislativa, Liliane Roriz (PSD), afirma que vai acionar a Justiça para impedir que o governo federal assuma a gestão do museu. “Ele faz parte da cidade e foi construído com recursos do DF. Mesmo que os espaços culturais estejam abandonados, não poderiam permitir isso. Vamos pedir explicações ao (governador) Agnelo (Queiroz) e acionar o Ministério Público”, avisa. A Secretaria de Cultura, o Ministério da Cultura e o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) informaram, por meio de assessoria de imprensa, que não comentarão o assunto.

Para saber mais

Pedido da presidente

A solicitação para a mudança da gestão do Museu Nacional partiu da presidente Dilma Rousseff, com o objetivo de dar mais visibilidade aos acervos da União, como os que estão guardados no Banco Central e na Caixa Econômica Federal. As primeiras reuniões com representantes da Secretaria de Cultura do DF e do Ministério da Cultura ocorreram em maio deste ano. No entanto, o encontro marcado para a última quarta-feira, no qual o acordo de transferência seria assinado, foi cancelado.

Enquanto isso, os representantes do órgão estudam a melhor proposta para conduzir a federalização do museu. Mas eles garantem que o período de transição da gestão vai respeitar a agenda de exposições programada para até o fim do ano. O Museu Nacional tem cerca de 2 mil obras no acervo. Desse total, aproximadamente 1,3 mil são da coleção do Museu de Arte de Brasília (MAB), localizado no Setor de Hotéis e Turismo Norte e fechado desde 2007. Esses acervos pertencem ao GDF e não entram no projeto de cessão para o Ministério da Cultura.

Fonte: Correio Braziliense

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