A aposentadoria não significa um final, mas sim uma nova fase em que a pessoa poderá realizar outros objetivos e projetos

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Servidores, médicos, estudantes e populares dizem “NÃO!” à privatização da Saúde


A população está nas ruas. Os servidores públicos sempre estiveram na luta por serviços de qualidade para toda a população e pela defesa do patrimônio nacional, seja na saúde, na educação, nos transportes ou na infraestrutura. A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) é mais uma tentativa de enfraquecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Não deixaremos!

O Sintrasef, servidores da saúde e diversas entidades representando médicos e estudantes participaram no dia 5 de junho da manifestação contra a privatização do sistema de saúde no Rio e no Brasil. O protesto reuniu cerca de duas mil pessoas, que se encontraram pela manhã na Cinelândia e marcharam na hora do almoço até a sede do Ministério da Saúde no Rio, na Rua México 128.

Durante todo o protesto os servidores informaram à população sobre o risco que é a tentativa de implantação da Empresa Brasileira de Serviço Hospitalar (Ebserh) pelo governo federal. A empresa atuaria gerenciando instituto e hospitais federais, mas esse “gerenciamento” atropelaria diversas leis e direitos adquiridos pelos servidores federais e pela população, colocando em risco o Sistema Único de Saúde (SUS).

“Os trabalhadores que necessitam dos serviços de saúde serão atingidos diretamente. Há uma falácia de que os hospitais com a Ebserh terão mais qualidade no atendimento. Isso não é verdade. O que acontece é que eles tiram gente dos corredores, e não atendem ninguém. Hoje nós temos gente nos corredores das emergências porque nós servidores atendemos a todo mundo, é por isso! Eles desmontam os setores, mas mesmo assim os trabalhadores conseguem dar conta do trabalho”, disse Maria do Socorro, diretora do Sintrasef, durante o protesto.

Atento à manifestação, o corretor de imóveis Flavio Carvalho entendeu o recado dos servidores e o risco que toda a população corre. “Eu acho digno e justo essa paralisação nas ruas. Não sabia dessa empresa. É fundamental a luta dos servidores para que a população fique mais informada e engajada na briga por seus direitos”, afirmou.

“EBSERH, FORA!!!”

Ao chegarem na sede do Ministério da Saúde, os servidores do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), e da Vigilância e Saúde do Estado do Rio de Janeiro (unidade Ana Neri), entre outros, fizeram um grande círculo e deram seu recado com o coro “Ebserh, fora!!!”.

Carlos Henrique, diretor do Sintrasef e servidor do Instituto Nacional do Câncer (INCA), denunciou o assédio na instituição. “Lamentavelmente os companheiros do Inca não estão presentes aqui. Mais uma vez a direção do Instituto não deixou que os companheiros do sindicato, do Conselho Regional de Medicina, e de outras instituições estivessem no Inca para conversarem com os funcionários sobre a realidade da Ebserh e dos hospitais. Nós temos que repudiar a forma como a direção vem assediando os servidores do Inca”, afirmou.

Edna Theodoro, diretora da Associação de Servidores do Into (Assinto) e filiada ao Sintrasef, acredita que a luta contra a Ebserh é crescente. “O povo precisa estar na rua, precisamos ser multiplicadores dessa corrente, porque se isso não acontecer todos nós, usuários do sistema, perderemos”, disse.

OS SERVIDORES DA SAÚDE EXIGEM

- Fim das privatizações promovidas através da Ebserh;

- Maior investimento aos estabelecimentos públicos, compra de equipamentos e materiais de uso contínuo;

- Contratação de profissionais através de concurso público e Regime Jurídico Único, política salarial adequada às necessidades dos trabalhadores, e igualdade de tratamento entre os trabalhadores do SUS;

- Melhoria no atendimento à população;

- Regulamentação das 30 horas semanais aos trabalhadores da Saúde, manutenção de direitos e conquistas dos trabalhadores;

- Eleição direta para cargos de chefia;

- Chefes devem ser da carreira da Saúde, eleitos pela base e não de confiança dos gestores e prefeitos. 

Fórum das Entidades pede retirada de projeto privatista 

A Condsef e as 30 demais entidades sindicais que compõem o fórum em defesa dos servidores e serviços públicos enviaram cartas aos parlamentares do Congresso Nacional pedindo a retirada de pauta e o arquivamento do PLP 92/2007, que propõe a criação de um novo modelo de gestão – Fundação Estatal de Direito Privado.

Na carta as entidades reafirmam o compromisso com a construção de políticas de Estado que enfrentem a implantação do modelo de Estado Mínimo que está em curso com a disseminação das Organizações Sociais (OS) e da Ebserh.

As entidades informam também que a luta vem sendo travada há pelo menos seis anos, desde que o projeto estava no Ministério do Planejamento, e que iniciativas como esta já foram derrotadas nos governos FHC (PEC 370) e Collor (PEC 56B). “É equívoco do governo da presidenta Dilma Rousseff ressuscitar algo já derrotado pelos setores comprometidos com a luta contra o Estado Mínimo”, diz o texto.

Ainda na carta o Fórum exige que áreas estratégicas como educação, pesquisa, saúde, ambiente e cultura continuem como responsabilidade do Estado, com financiamento e gestão pública.

Fonte: Sintrasef/RJ