A aposentadoria não significa um final, mas sim uma nova fase em que a pessoa poderá realizar outros objetivos e projetos

domingo, 7 de julho de 2013

PT tenta estancar apoio ao "volta Lula"


A Executiva Nacional do PT reafirmou ontem sua decisão de lutar pela convocação de uma assembleia constituinte que discuta mudanças mais amplas no sistema político brasileiro. A cúpula do PT reuniu-se ontem em Brasília, num encontro em que seus integrantes buscaram estancar o movimento de "volta Lula", e voltaram a defender que o governo federal melhore sua comunicação com a sociedade. Como o ministro da Justiça, assessores presidenciais e líderes do partido, a Executiva também sustentou a necessidade de se realizar de imediato um plebiscito e uma reforma política que tenha efeitos nas eleições de 2014,

Segundo relatos, participantes da reunião ponderaram que um movimento pela volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfraquece o governo Dilma Rousseff e tem um efeito mais danoso que a antecipação da disputa eleitoral de 2014. De acordo com o presidente do PT, Rui Falcão, a iniciativa pelo retorno de Lula "não ganha ressonância" entre os integrantes da direção do PT. "A pessoa que seria mencionada como alternativa [Lula] não está dando guarida a isso", disse Falcão, após o encontro.

A Executiva Nacional do PT manteve a defesa da realização de uma assembleia constituinte exclusiva sobre os temas da reforma política que não forem contemplados no plebiscito, como uma redução das exigências legais para a participação popular no processo decisório do país e a possibilidade de a população apresentar propostas de emendas constitucionais. Perguntado se o plebiscito sobre a reforma política abriria o caminho para a realização de consultas populares sobre diversos assuntos no futuro e se isso não poderia gerar comparações entre o Executivo brasileiro e os governos chavistas, Falcão lembrou que a própria Constituição prevê iniciativas populares e a participação dos cidadãos nos processos decisórios do país.

"Queremos ampliar os mecanismos de participação popular", disse. "Não vejo em quê isso colocaria em risco nossa democracia." Ainda ontem, assessores do Planalto desmentiram declarações do ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral, que havia anunciado na véspera essa ideia do governo de fazer o "plebiscito contínuo".

Durante a reunião, integrantes da cúpula petista mantiveram contato com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para falar sobre os desencontros entre membros do Executivo na defesa do plebiscito. "O centro hoje da luta política é a questão do plebiscito", afirmou Falcão.

O PT também decidiu fortalecer o contato com os movimentos populares, com a reconstituição do Fórum Nacional de Lutas como um espaço permanente de diálogo. Em outra frente, a sigla quer que os militantes participem da mobilização nacional a ser promovido pelas centrais sindicais e movimentos sociais em 11 de julho. A missão dos filiados é a defesa do plebiscito e da reforma política. O PT usará parte das propagandas em rádio e televisão a que terá direito no segundo semestre para defender essas bandeiras.

Ontem, após a reunião da Executiva Nacional do PT, o secretário-geral do partido, deputado Paulo Teixeira (SP), lançou sua candidatura à presidência da sigla. O calendário do processo eleitoral interno do PT está mantido, e ocorrerá entre julho e novembro. Disputarão também Valter Pomar, Renato Simões e Marcos Sokol. Falcão tentará reeleger-se e conta com o apoio da maior parte das tendências petistas.

Fonte: Valor Econômico