A aposentadoria não significa um final, mas sim uma nova fase em que a pessoa poderá realizar outros objetivos e projetos

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Dois pilares erodidos


Por Carlos Chagas

No PT, o racha caracterizou-se na bancada de deputados federais. Pelo menos 40 manifestaram-se por escrito contra a designação de Candido Vaccarezza para dirigir a Comissão Especial da Reforma Política. Pretendem Henrique Fontana, apesar de a escolha dever-se a decisão do ex-presidente Lula. A presidente Dilma recusou-se a comparecer à reunião do Diretório Nacional do partido e por isso foi duramente criticada por José Dirceu. O presidente Rui Falcão está sendo contestado na tentativa de reeleger-se. O senador Eduardo Suplicy exige prévias junto às bases dos companheiros paulistas, informado da disposição de seus dirigentes de garfá-lo na escolha do candidato ao Senado no ano que vem.

Parte das bancadas no Congresso nega-se a atender convites da presidente Dilma para entendimentos, continuando a exigir reformas no ministério e não poupando acres censuras ao desempenho de seu governo. Enquanto isso, pelo menos a metade dos deputados e senadores petistas não esconde o movimento para levar o Lula a candidatar-se à presidência da República em 2014, temerosos do malogro da reeleição da sucessora. 

Enfim, o PT transformou-se num campo de batalha interna, sem esquecer as péssimas relações mantidas entre o partido e o PMDB. Quanto à legenda que já foi do dr. Ulysses, passa por convulsão igual. O líder na Câmara, Eduardo Cunha, virou o inimigo número um do palácio do Planalto e da presidente. O vice-presidente Michel Temer não consegue conter parlamentares favoráveis à diminuição do numero de ministérios, com o presidente da Câmara à frente. Henrique Eduardo Alves não perdoa Dilma por tentar jogar a opinião pública contra o Congresso, dentro do raciocínio que ela fez tudo para corresponder aos anseios da voz das ruas, mas o Legislativo não permite.

Significa o quê, esse desarranjo óbvio e em crescente desenvolvimento? Que os dois pilares da base parlamentar do governo estão erodidos e mergulhados em solo pantanoso. Daqui para diante a situação só tenderá a piorar, ainda que dentro de condições inusitadas. Porque mal ou bem, o PT dispõe de pelo menos dois candidatos às eleições do ano que vem: Dilma, se recuperar sua popularidade, e o Lula, imbatível caso admita disputar para preservar o partido e o poder.

Já o PMDB, nenhum, como resultado de sua acomodação agora já histórica, pois vem desde o apoio a Fernando Henrique, ao Lula e a Dilma. Argumenta-se a falta de líderes de peso,mas a verdade é que sem ter disputado a presidência da República desde que Orestes Quércia se lançou, e perdeu, ninguém mais conseguiu. O único a tentar foi Roberto Requião, sabotado pelos próprios correligionários. Não se dirá ser um partido em busca de um destino, porque os peemedebistas faz muito que centraram seu objetivo na conquista de migalhas do poder, cada vez mais raras.

Pergunta-se onde vai dar esse processo desagregador caso milagres não se produzam. A resposta, por enquanto, é que a base política do governo segue atrás da vaca: vai para o brejo…

Nenhum comentário:

Postar um comentário