A aposentadoria não significa um final, mas sim uma nova fase em que a pessoa poderá realizar outros objetivos e projetos

segunda-feira, 10 de junho de 2013

"Futuro seguro" é prioridade


Estudantes abdicam de carreiras para as quais se prepararam a fim de ingressar no funcionalismo, de olho na estabilidade

Gabriel de Carvalho Carneiro tem 19 anos e terminou o ensino médio no ano passado. Conquistou uma vaga no curso de educação física da Universidade de Brasília (UnB) pelo Programa de Avaliação Seriada (PAS), mas não se matriculou. Apoiado pelo pai, servidor público, assumiu a condição de concurseiro. Chega a estudar 10 horas por dia, contando as aulas no cursinho pela manhã. "Tenho que correr atrás do que quero, e quero estabilidade. É a minha decisão", diz.

Ao ver os amigos envolvidos com vestibular ou com o início da vida acadêmica, Gabriel confessa sentir "aperto no coração". A disciplina com a rotina de estudos e o incentivo da família, no entanto, o ajudam a seguir firme na opção menos convencional. "O problema seria se, por acaso, eu não passasse em nada, porque aí não teria feito faculdade nem tido experiências anteriores", comenta o jovem, que, por enquanto, almeja o cargo de agente do Departamento de Trânsito (Detran).

Para o diretor de Educação da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Luiz Edmundo Rosa, é natural que a ideia de "futuro seguro" ainda esteja associada ao funcionalismo, mas ele pondera que a construção de uma carreira infeliz pode ser pior que uma provável instabilidade. "Quando o jovem não é vocacionado e escolhe o concurso pelo concurso, as chances de encarar o trabalho como mal necessário são muito grandes. Tem muita gente caindo de paraquedas na repartição", argumenta.

Formado em relações internacionais pela UnB, Fernando Kreismann, 28 anos, começou a vida profissional como servidor do Ministério da Cultura, em uma área completamente diferente da que aprendeu na universidade. Menos de dois anos após a primeira aprovação, ele assumirá, nos próximos dias, uma função na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). E ainda não será desta vez que colocará em prática os ensinamentos da graduação.

A garantia do salário no fim do mês sempre seduziu Fernando. Ele não se diz arrependido da decisão de virar funcionário público, mas confessa sentir falta de estímulo para produzir mais e avançar na carreira. "Pelo menos 60% dos servidores passam pela mesma coisa", estima. "As pessoas mais felizes que conheço na minha área estão trabalhando na iniciativa privada e ganhando muito bem", completa o jovem, que já pensou em abrir mão da estabilidade para "se aventurar", nas palavras dele.

Fonte: Correio Braziliense