A aposentadoria não significa um final, mas sim uma nova fase em que a pessoa poderá realizar outros objetivos e projetos

terça-feira, 14 de maio de 2013

Serviço VIP do Senado em aeroporto tem carregador de mala e segurador de placa

A sala de pouco mais de 20 metros quadrados mantida pelo Senado na área de embarque do Aeroporto Internacional de Brasília, num corredor com outras quatro salas, é a única protegida por vidro espelhado, impedindo a visão do que acontece lá dentro.

Situada entre a seção de achados e perdidos e um posto do BB Turismo, a sala não tem janela nem ar condicionado. Conta apenas com um ventilador simples para espantar o calor dos funcionários engravatados do Senado que lá trabalham e não ganham menos que R$ 15 mil mensais.

Deputados têm direito a serviço VIP em aeroporto de Brasília

Renan sinaliza que manterá serviços de auxiliar de check-in no Senado 

Conhecidos como carregadores de mala de senadores, os servidores também atuam como seguradores de placa.

No fundo da sala, atrás de uma divisória, uma espécie de área VIP não tão VIP: um sofá velho de couro preto de três lugares.

Em vez de senadores, quem usa o espaço com frequência são funcionárias de companhias aéreas que trabalham nos balcões em frente à sala e usam o espaço para esticar as pernas. A sala também serve de refeitório para elas, que esquentam suas marmitas e comem lá mesmo.

Deputados federais também têm auxiliar de check-in

Poucas pessoas não precisam enfrentar filas ou chegar com antecedência para despachar as bagagens e embarcar em um voo. Mas tais vantagens são oferecidas a todos os 513 deputados federais.

Além do Senado, a Câmara mantém cinco funcionários para facilitar as viagens dos deputados, com salários líquidos que variam de R$ 8,7 mil a R$ 11,9 mil mensais.

Os servidores atuam no aeroporto de Brasília, onde a Câmara também mantém uma sala VIP na área de embarque para abrigar os deputados que esperam seus voos. Isso permite que esperem o embarque separadamente dos demais passageiros.

A Folha mostrou na terça-feira passada que o Senado mantém serviço similar, com nove funcionários contratados para fazer check-in e despachar malas dos senadores --com remunerações líquidas de R$ 14 mil a R$ 20 mil.

Só o aluguel das salas VIP custa R$ 142,3 mil por ano ao Congresso. A Câmara paga por mês à Inframérica (consórcio que administra o aeroporto de Brasília) R$ 7.500 por mês por uma sala de 43 m². Supremo Tribunal Federal, Itamaraty e Superior Tribunal de Justiça também alugam salas no aeroporto com as mesmas funções.

A Câmara afirma que o serviço tem o objetivo de dar "suporte e recepção de parlamentares, autoridades e convidados que participam de eventos na instituição", como audiências públicas.

Segundo a assessoria de imprensa da Casa, os servidores são comissionados e trabalham vinculados à diretoria-geral. Segundo relatos de deputados que usam a sala, o espaço tem computadores e local para reuniões reservadas. Além dos congressistas, convidados da instituição têm acesso às facilidades.

O deputado Renato Andrade (PP-MG) defendeu o serviço dizendo que os congressistas têm uma agenda apertada, o que os impede, em diversas ocasiões, de seguir os trâmites normais de embarque: "É uma facilidade para a gente, mas sabemos que isso custa muito para o país".

Andrade disse que essa foi a terceira vez que recorreu aos auxiliares de check-in porque estava atrasado para pegar o voo --depois de participar da posse do novo ministro Guilherme Afif Domingos (Secretaria da Micro e Pequena Empresa): "Sem eles eu teria perdido o voo".

Um dos funcionários, que não quis revelar o nome, disse que está há mais de 30 anos nessa função. Ele afirmou que o serviço foi criado para evitar confusões com deputados que chegavam atrasados e queriam furar filas. 

Fonte: Folha de S. Paulo

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