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sexta-feira, 1 de março de 2013

Movimento sindical precisa superar três deficiências


Comunicação, formação política e atuação no Congresso, não necessariamente nesta ordem

Marcos Verlaine*

No ato comemorativo dos 30 anos da CUT, no dia 27 de fevereiro, o ex-presidente Lula levantou um tema que é um dos principais problemas do movimento sindical, a comunicação. É sabido por todos que a velha mídia não abre espaço para os trabalhadores e suas entidades representativas. É mais que sabido que toda vez que a mídia tradicional tematiza assuntos relacionados ao movimento sindical o faz com preconceito e desrespeito.

Em resposta a isso, Lula, no ato em São Paulo chamou a atenção para que o movimento sindical faça a sua comunicação. “Não vivo reclamando do espaço que me dão. Eu reclamo do que falta fazer para ter o espaço que quero, independente deles”, afirmou Lula, referindo-se aos veículos da velha mídia.

Comunicação
Este, então, é o primeiro dos três grandes problemas do movimento sindical. É preciso explorar mais e melhor as novas ferramentas surgidas com o avanço tecnológico neste setor. A internet colocou todos em pé de igualdade. A questão é estudar o que pode ser feito e fazer bem feito.

Profissionais, jornais, rádio, TV, sites, twitter, faceboof, enfim uma infinidade de ferramentas. É preciso usá-las todas, a fim de alcançar os trabalhadores e furar o bloqueio da mídia dominante que asfixia e impede que as informações importantes cheguem como devem chegar a quem interessa.

“Temos uma arma poderosa, mas desorganizada. Temos que mapear a quantidade de panfletos, jornais, revistas rádios e sites”. E sugeriu: “Por que a gente não organiza o nosso espaço, por que não começamos a organizar a nossa mídia, por que não tentamos organizar um pensamento mais coletivo, unitário? Temos condições de fazer. Não temos que pedir favor”, chamou a atenção Lula no ato.

Formação política
Este é o segundo dos três grandes problemas do movimento sindical que precisa, urgentemente, ser superado. Enredado num movimento frenético, que consome a maior parte do tempo dos dirigentes sindicais – a luta pela manutenção dos direitos – dificulta ou impede que os sindicalistas invistam tempo e recursos materiais e financeiros na solução deste problema.

Razões históricas também contribuem com a baixa formação dos dirigentes, pois isso foi secularmente negado ao nosso povo. Mas é preciso superar essa demanda, a fim de melhorar a intervenção política dos trabalhadores e suas lideranças.

A disputa entre o capital e o trabalho exige isto. Subestimar a formação política é subestimar a própria razão de ser do movimento sindical.

Não há mágica para superar essa lacuna. É preciso investir em formação continuada. Palestras, seminários e outros eventos que as entidades corriqueiramente organizam ajudam, mas não são suficientes. É preciso mais. É preciso inclusive esforço pessoal dos dirigentes, porque do contrário essa lacuna permanecerá, aumentará e dificultará cada vez mais a superação dos problemas organizativos dos trabalhadores.

Sobre isso, recomendo a leitura deste curto e importante artigo do jornalista João Franzin – Formação sindical na prática.

A disputa no Congresso
Por fim, o terceiro grande problema que identifico é o fato de o movimento sindical não conseguir fazer uma atuação mais articulada e orgânica no Congresso Nacional. Isto tem prejudicado sobremodo os trabalhadores e seus direitos, permanentemente em xeque, num Legislativo, cuja maioria é liberal conservadora.

O Congresso é uma arena de luta que precisa ser freqüentada diuturnamente pelas lideranças sindicais, porque é nessa arena que são debatidas a agenda que interessa ao povo em geral e dos assalariados em particular.

Atuar no Congresso é fundamental de modo a garantir a viabilidade de proposições que ampliam direitos e conquistas da classe trabalhadora de um lado. De outro, não permitir que esses mesmos direitos e conquistas sejam colocados em xeque pela maioria de empresários que compõe as duas casas do Legislativo Federal.

Estes problemas não são fáceis de ser superados, mas é preciso enfrentá-los de modo a qualificar mais e melhor as lideranças e os dirigentes sindicais.

Fazer um bom trabalho no quesito comunicação das entidades para disputar a cabeça dos trabalhadores. Não permitir que o nosso Congresso liberal conservador dê de ombros para as demandas da classe trabalhadora ou privilegie uma agenda que mitigue direitos. Investir em formação e estudo, a fim de melhorar a cabeça das lideranças e a capacidade de intervenção política são tarefas urgentes e inadiáveis do movimento sindical.

(*) Jornalista, analista político e assessor parlamentar do Diap

Fonte: DIAP