A aposentadoria não significa um final, mas sim uma nova fase em que a pessoa poderá realizar outros objetivos e projetos

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Base da Condsef aposta em dia nacional de lutas forte e vota pela unidade nas ações em defesa da categoria


Entre os dias 12 e 15 cerca de 400 delegados de base de 22 estados e o Distrito Federal participaram da 7ª Plenária Estatutária da Condsef, em Caldas Novas. Após debates que envolveram a luta dos servidores pelo atendimento de reivindicações urgentes e o processo de negociações com o governo, grupos de trabalho foram formados para construir uma pauta a ser votada e encaminhada pela Condsef. Um dos eixos centrais defendidos por unanimidade pelos participantes da plenária foi o fortalecimento e trabalho de mobilização para realizar um forte dia nacional de lutas com paralisação de atividades em todo o Brasil no próximo dia 25. Os servidores da base da Condsef também votaram pelo fortalecimento da unidade entre as 31 entidades nacionais que compõem a Campanha Salarial 2012.
O objetivo é unificar as ações da campanha e dialogar sobre a definição de um indicativo de uma greve geral caso as negociações com o governo continuem sem avanços. O relatório completo da plenária será enviado em breve a todas as entidades filiadas à Condsef que participaram da atividade.
Na terça-feira da semana que vem, dia 24, está pré-agendada uma nova reunião com representantes das 31 entidades que participam da Campanha Salarial 2012. Após a mobilização do dia 25 as entidades voltam a se reunir para fazer um balanço sobre os fóruns, plenárias e encontros realizados neste período. O objetivo é também consolidar ações e definir um eixo unificado com a construção de novas atividades de mobilização.
Além desta reunião conjunta, o Planejamento também confirmou uma reunião (veja aqui) para o dia 24 onde serão tratadas demandas dos seguintes setores da base da Condsef: PECFAZ, Incra, Funai, DPRF, FMM, Arquivo Nacional, MEC/Embratur, MRE, AGU e HFA. O governo se comprometeu a informar ainda nesta terça-feira, 17, as agendas de reunião para os demais setores da base da Condsef.
Continue acompanhando aqui em nossa página a cobertura dessas reuniões e o destaque das manifestações e mobilizações dos servidores em busca do atendimento de suas demandas.
Fonte: Condsef

Movimento sindical perde um lutador

O serviço público federal se despediu no último final de semana de um ativo combatente. Em plena luta, durante a plenária da Confederação Nacional dos Servidores Públicos Federais (Condsef) em Caldas Novas, Goiás. Paulo Roberto da Conceição, 57 anos, era agente de saúde pública do Ministério da Saúde (antigo funcionário da Funasa) e estava na lista dos intoxicados devidos à décadas de trabalho na saúde preventiva da população. Conhecido como “Só Alegria”, ele era entoava em alto e bom som a luta para que o Governo reconhecesse as vítimas que ficaram com sequelas depois de anos de manuseio inadequado dos agentes químicos.

Em seus 35 anos de profissão, em Piratininga, Paulo recebeu o apelido de “Só Alegria”, porque além de realizar seu trabalho, ele sempre levava sorrisos para as casas em que visitava. Sua rotina sempre foi visitar cerca de 30 residências para o combate à dengue. Paulo era diretor do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal no Estado do Rio de Janeiro (Sintrasef) e sentia os sintomas de anos de contato com os agentes químicos. Em seu histórico, teve hanseníase, diabete, operou entupimento nas veias da perna de tanto que andou, teve problemas no fígado e estava no tratamento contra tuberculose. Ele morreu vítima de complicações de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e, em todo o momento, esteve acompanhado de outro diretor Valdeli Lima (Dudu da Sucam). O corpo será trazido para o Rio de Janeiro e o sepultamento está previsto para terça-feira (17 de abril). 

Em entrevista recente, Paulo Roberto se mostrou orgulhoso do trabalho que exercia e disse que se sentia um herói por cuidar da saúde preventiva, mesmo com tantas dificuldades. “Depois da descentralização, no início da década de 90, os agentes foram jogados nos Estados e municípios e muita coisa piorou. Começou a faltar material de trabalho e houve uma desunião dos servidores. Hoje, nossas viaturas estão sucateadas e nosso material também. Funciona precariamente e não temos luvas, máscaras ou macacão como parte de nosso equipamento de segurança. Já houve época de faltar até mesmo os insumos no combate à dengue e isso é prejudicial para a população”, disse. 

Ele ainda completou: “Foram três anos parados sem o combate e, atualmente, o Rio de Janeiro tem altos índices de contaminação pelo mosquito Aedes Aegypt. Tenho orgulho do meu trabalho porque trata da saúde de forma preventiva, mas o ponto crucial da relação dos servidores com o Governo é saúde do trabalhador. Precisamos de uma fiscalização rígida e estamos largados. O contato com inseticidas e larvicidas deixou muita agente de saúde com sequelas. Além disso, desde o governo Collor, quando nosso salário ficou congelado, houve uma redução salarial que variou de dez salários mínimos (antigamente) para apenas dois. Com isso, diminuiu nosso poder de compra e nossa qualidade de vida. Não podemos mais viajar ou ter um carro novo”.