A aposentadoria não significa um final, mas sim uma nova fase em que a pessoa poderá realizar outros objetivos e projetos

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Movimento sindical perde um lutador

O serviço público federal se despediu no último final de semana de um ativo combatente. Em plena luta, durante a plenária da Confederação Nacional dos Servidores Públicos Federais (Condsef) em Caldas Novas, Goiás. Paulo Roberto da Conceição, 57 anos, era agente de saúde pública do Ministério da Saúde (antigo funcionário da Funasa) e estava na lista dos intoxicados devidos à décadas de trabalho na saúde preventiva da população. Conhecido como “Só Alegria”, ele era entoava em alto e bom som a luta para que o Governo reconhecesse as vítimas que ficaram com sequelas depois de anos de manuseio inadequado dos agentes químicos.

Em seus 35 anos de profissão, em Piratininga, Paulo recebeu o apelido de “Só Alegria”, porque além de realizar seu trabalho, ele sempre levava sorrisos para as casas em que visitava. Sua rotina sempre foi visitar cerca de 30 residências para o combate à dengue. Paulo era diretor do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal no Estado do Rio de Janeiro (Sintrasef) e sentia os sintomas de anos de contato com os agentes químicos. Em seu histórico, teve hanseníase, diabete, operou entupimento nas veias da perna de tanto que andou, teve problemas no fígado e estava no tratamento contra tuberculose. Ele morreu vítima de complicações de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e, em todo o momento, esteve acompanhado de outro diretor Valdeli Lima (Dudu da Sucam). O corpo será trazido para o Rio de Janeiro e o sepultamento está previsto para terça-feira (17 de abril). 

Em entrevista recente, Paulo Roberto se mostrou orgulhoso do trabalho que exercia e disse que se sentia um herói por cuidar da saúde preventiva, mesmo com tantas dificuldades. “Depois da descentralização, no início da década de 90, os agentes foram jogados nos Estados e municípios e muita coisa piorou. Começou a faltar material de trabalho e houve uma desunião dos servidores. Hoje, nossas viaturas estão sucateadas e nosso material também. Funciona precariamente e não temos luvas, máscaras ou macacão como parte de nosso equipamento de segurança. Já houve época de faltar até mesmo os insumos no combate à dengue e isso é prejudicial para a população”, disse. 

Ele ainda completou: “Foram três anos parados sem o combate e, atualmente, o Rio de Janeiro tem altos índices de contaminação pelo mosquito Aedes Aegypt. Tenho orgulho do meu trabalho porque trata da saúde de forma preventiva, mas o ponto crucial da relação dos servidores com o Governo é saúde do trabalhador. Precisamos de uma fiscalização rígida e estamos largados. O contato com inseticidas e larvicidas deixou muita agente de saúde com sequelas. Além disso, desde o governo Collor, quando nosso salário ficou congelado, houve uma redução salarial que variou de dez salários mínimos (antigamente) para apenas dois. Com isso, diminuiu nosso poder de compra e nossa qualidade de vida. Não podemos mais viajar ou ter um carro novo”.